sábado, 26 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de março de 2008

Futuro escritor e poeta aos 14 anos

" Eu sou do tamanho do que escrevo."

in "A palavra", jornal produzido na íntegra por Fernando Pessoa

Desassossego

"Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra complexa vista e ouvida. E a gala de translineação greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."

"Que de Infernos e Purgatórios e Paraísos tenho em mim - e quem me conhece um gesto discordante da vida... a mim tão calmo e tão plácido?
Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

In PESSOA, Fernando, Livro do Desassossego composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa (3ª ed.), Lisboa, Assírio & Alvim, 2001, # 259, 443, pp. 255, 391.